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segunda-feira, 28 de março de 2011

Idolatria imbecil


Essa chargeta eu fiz para o Olhar Virtual da UFRJ, pra coluna "De Olho na Mídia", para ilustrar um interessante artigo que analisa a postura da mídia em relação à vinda de Barack Obama ao Brasil.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Inversão de valores...


Está em nosso redor em todos os lugares, algo pernicioso, quase invisível, chamado engenharia do consenso. Nos fazem aceitar como valores irrefutáveis coisas que não necessariamente precisamos ou queremos ou devemos aceitar, mesmo assim, quando nos damos conta, estamos sendo moldados á imagem e semelhança daqueles que se colocam no papel de artífices do detino, dos costumes e do comportamento social. O pensamento reflexivo vai dando lugar, pouco a pouco, a uma acriticidade tamanha, que faz com que pessoas pautem suas vidas pelo que lhes são outorgados, e não pelos próprios desejos ou valores.

Pequeno exemplo, assistimos comovidos ao drama de artistas famosos que lutam contra as drogas, torcemos pelo trinfo deles, pela sua recuperação. Mas outras pessoas também são vítimas das drogas, muitas vezes passam por dramas e dilemas até bem mais sérios, a começar pelo fato de não terem a informação ou as perspectivas que um ator global tem. Marginais, lupemproletários, sem-teto, miseráveis, pode chamá-los do que quiser, caro leitor. Pessoas que roubam porque precisam da droga para ajudar a entorpecer a fome. Pessoas que não tem saída, nem perspecitiva nem porvir, que estão á beira da morte física, pois já morreram espiritualmente há tempo.

O tratamento que o Estado Brasileiro dá a uns e a outros é completamente diferente. A diferença é apenas classe social. Miseráveis viciados são tratados pela mídia, pela polícia e por nós como os piores criminosos. Mas nos solidariezamos com o drama de pessoas famosas, ricas e bonitas que estão na mesma situação. A engenharia do consenso é pensada para guiar nossos valores nos mínimos detalhes: enaltece o drama de uns e transforma outros em monstros. O senso crítico que deveria nos alertar nessas horas vai se perdendo de vista, como se nunca tivesse existido. Enquanto isso, a classe dita dominante se impõe á outra, a esmaga, a sufoca, (pois no fundo tem medo de sua revolta), usando todos os recursos disponíveis para garantir a manutenção de seu status.

A luta de classes é travada também na mente das pessoas. No fundo, nós sabemos disso sim. Mas preferimos ficar no conforto de nossos afazeres, sem dar muita atenção a isso tudo. Já temos que pensar em muita coisa. O resto, deixamos que pensem por nós.



Bom, essa charge é a outra que fiz esse mês para o jornal A Nova Democracia. Vai lá:
http://www.anovademocracia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2557&Itemid=105

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Pela democratização da mídia!


Essa é a outra charge que fiz para o jornal Fazendo Media desse mês. O texto abaixo é um resumo da linha editorial do jornal, é bem interessante de ler, assim, pra se ter uma idéia. É diferente do que a gente tá acostumado.

"Quando quatro corporações (Viacom, Disney, AOL Time-Warner e Rupert Murdoch) concentram 90% da produção de jornais, rádios, televisão, teatro e cinema, fica descaracterizada qualquer possibilidade de democracia nos meios de comunicação.

No Brasil, seis grupos controlam 667 estações de rádio e televisão. A informação produzida por este oligopólio é manipulada e envenenada de acordo com interesses outros que não os da sociedade.

Os veículos de comunicação da grande mídia limitam-se a transmitir as informações de maneira a agradar a elite político-econômica que a controla.

Para isso, distorce fatos, fabrica versões, descontextualiza acontecimentos e omite detalhes. Espalha o conformismo.

Dessa forma, molda percepções e define estilos de vida. Constrói e sustenta os paradigmas que permitem a manutenção do status quo. (...)"


Taí o link, vai lá:

http://www.fazendomedia.com/

domingo, 13 de dezembro de 2009

Momento Fazendo Media


Essa charge foi feita para o jornal Fazendo Media desse mês. O texto abaixo é um fragmento do editorial do jornal. Boa leitura!

"O papel dos meios de comunicação deveria ser democratizar o saber, educar, investigar e denunciar a corrupção. Entretanto, hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar tais qualidades numa redação – entregue aos desmandos de empresas que insistem em colocar o lucro acima da vida.

Assim, observa-se uma grave distorção de valores. Em lugar da comunicação ética, voltada para o desenvolvimento social, tem-se uma comunicação voltada única e exclusivamente para o lucro, embora muitas vezes dissimulada por campanhas superficiais, que estimulam o mais baixo tipo de caridade – aquela que meramente consola, conforma e humilha, sem nunca questionar a crescente desigualdade social."


Vai lá:
http://www.fazendomedia.com/

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O sujo falando do mal lavado


Taí a terceira charge que fiz esse mês para o jornal "A Nova Democracia".

"À despeito de viverem alinhados no esmero anti-povo, de rotinas de produção em comum marcadas pelo sensacionalismo, mentiras e preconceitos, e de constituírem organizações empresariais de natureza eminentemente mafiosa, os nada respeitáveis integrantes do monopólio dos meios de comunicação que operam no Brasil vivem em pé de guerra pela audiência do respeitável público." (...)

"A recíproca foi verdadeira, ou seja, tudo o que a Record falou da Globo é verdade, o que não invalida o fato de que a própria Record também faz parte de um punhado de empresas de comunicação – com a Globo no topo – cujos métodos e objetivos não divergem no essencial. E o essencial é que uns e outros estão sempre em contradição com os interesses das classes populares, ainda que tenham a desfaçatez de se apresentar como os olhos, boca e ouvidos do povo."(...)


Leia o restante desse excelente texto de Hugo R C Souza em: http://www.anovademocracia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2421&Itemid=105

domingo, 7 de junho de 2009

Paes e sua melhor amiga: a Rede Globo


Essa é uma charge editorial que fiz para o jornal Fazendo Media do mês de maio. Resolvi deixar na data de domingo pq era pra ter postado nesse dia. Abstinência virtual faz isso. Mas bola pra frente!

"Eduardo Paes chegou a declarar publicamente, no primeiro mês de seu mandato, que o jornal O Globo estava funcionando como uma espécie de ouvidoria da população. Esse comportamento do prefeito reflete inúmeras características da sempre peculiar política carioca. A primeira delas é a percepção imatura e preconceituosa do prefeito, visível em cada frase que diz. Como quem lê O Globo são as classes mais favorecidas, são essas camadas sociais que o prefeito entende por "população""(...)

(...) "A subserviêcia do prefeito ao jornal tem também uma segunda causa. Paes foi eleito com margem extremamente pequena em relação a seu adversário Fernando Gabeira (PV). Na Zona Sul sociológica, Gabeira teve quase 70% dos votos, muito em funçãoo da ampla rejeiçãoo de Paes nos setores sociais que sempre o elegeram, e de onde surgiu. Recuperar a aceitação da classe média é uma das mais visíveis metas do prefeito."


Fonte: Jornal Fazendo Media impresso, edição de maio/2009.

Leia mais do Fazendo Media em: http://www.fazendomedia.com/

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mulher-banana!



"Essa é a mulher da mídia, aquela que tem o corpo perfeito, o bronzeado em dia, a sensualidade na voz, e a futilidade do sorriso constante. A mídia, fanfarrona como ela só, forja essa imagem como o ideal perfeito de mulher, fazendo milhões de homens desejarem o que nunca terão, e milhões de mulheres lamentarem o que nunca serão. Por que fazem isso? Pelo mesmo motivo de sempre: porque vende".

Essa é uma charge editorial que fiz para o jornal Fazendo Media de março.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Seis décadas de hipocrisia


Há 60 anos, direita desumana ofusca Direitos Humanos

Por Leandro Uchoas

"Em quantos países a tortura não é utilizada pelo braço armado do Estado, assumidamente ou não? Em que nações as crianças estão, todas, na escola? Há algum lugar onde a lei dá igual tratamento a todas as pessoas? Firmada em 1948 pelas Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é um avanço da humanidade, mas ainda está infinitamente longe de ser cumprida, mesmo que parcialmente.

Em seu célebre e famoso texto “Una Invitación al Vuelo”, Eduardo Galeano assim resume: “As Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais do que o direito de ver, ouvir e calar”.

Ao ganhar o Prêmio Nobel da Literatura em 1998, quando a declaração fazia 50 anos, José Saramago sublinhava em entrevista essa divida da humanidade. “A situação dos direitos humanos é péssima. Basta fazer um exercício para ver. Faça uma lista dos países que assinaram a declaração. Depois, uma lista dos que violaram os direitos humanos nos últimos anos. Estão todos lá. O documento é o testemunho de uma vontade, mas que ficou limitada ao texto”.

À imprensa caberia auxiliar na educação popular, e cobrar do Estado uma postura de completo respeito aos Direitos Humanos. Mas a grande mídia brasileira não só educa pouco como valida posturas reacionárias do Estado. Primeiramente, não educa porque uma mídia que trabalha a notícia como produto a ser vendido, jamais vai se preocupar com educação. O “produto” tem que se adaptar à vontade do “consumidor”, e precisa ser digerido com facilidade.

Além disso, valida posturas reacionárias do Estado porque, estruturada em valores conservadores, age em defesa de políticas excludentes que, indiretamente, representam um desrespeito completo aos direitos humanos: ampara política de segurança pública de extermínio em áreas pobres, defende programas econômicos que geram exclusão, sustenta projetos liberais de educação e saúde, cobre exaustivamente os conflitos econômicos, e estimula os valores de consumo e culto a celebridades. Ao fazer tudo isso, e por ser hegemônica, a mídia inviabiliza os direitos humanos.

Mais do que isso, o monopólio discursivo que ela representa no Brasil – país onde quase inexiste disputa ideológica na mídia – já é por si só um desrespeito ao artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos, que trata do direito à opinião e expressão. No país em que rádios comunitárias são perseguidas e fechadas, canais de televisão são capitanias hereditárias, e todos os jornais defendem os mesmos valores e grupos político-econômicos, não dá pra acreditar em liberdade de expressão.

Nesse sentido, o mesmo texto de Galeano supracitado, escrito em 1998, fornece uma sentença definitiva. Sonhando com um milênio mais justo, o escritor uruguaio simulava previsões positivas de construção de uma humanidade mais justa. Numa delas, diz: “a comida não deverá ser uma mercadoria, nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos”. Oxalá consigamos tornar o sonho de Galeano real."


Fonte: jornal Fazendo Media impresso, dezembro 2008