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sexta-feira, 17 de abril de 2009

A caminho da barbárie


Essa é uma charge que fiz para uma cartilha do Instituto dos Defensores de Direitos Humanos (IDDH)

"Uma operação do 1º Batalhão da Polícia Militar, ocorrida no dia 17/03, no morro da Mineira, deixaria o saldo perverso de duas mortes. Uma delas foi a do senhor Aloísio. Segundo relato de sua esposa (Penha) tudo teria começado pela parte da manhã, no momento em que crianças costumam ir para a escola e o restante dos moradores para o trabalho. (...) Entretanto, antes que ela pudesse reconhecer os corpos, estes já haviam sido retirados pelos PMs. Buscando mais detalhes sobre o caso, sua vizinha perguntaria aos PMs sobre os detalhes do ocorrido e estes lhes informariam que os dois homens mortos eram bandidos e que tudo estava sob controle."

Fonte:
http://www.redecontraviolencia.org/Casos

Só fui saber desse caso recentemente, por isso essa charge não está aqui há quase uma semana. O IDDH pedindo ou não eu ia acabar rabiscando alguma coisa, como fiz anteontem com o caso do jovem Felipe, da Maré. Volta e meia fico tão chocado com a truculência policial e com a forma criminosa com que o Estado trata o cidadão brasileiro pobre, que não consigo deixar de parar tudo para exprimir toda minha indignação por esse sistema corrupto.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Segurança" pública do Rio faz mais uma vítima


"Felipe, morador da Maré, morre com tiro na cabeça dado pela Polícia Civil"

"Por volta das 11h de hoje, Felipe dos Santos Correia de Lima, de 17 anos, morador da Baixa do Sapateiro, Complexo da Maré, foi executado com um tiro na cabeça dado pela Polícia Civil, na Rua 17 de Fevereiro, rua em que morava. Segundo testemunhas, eram cinco policiais que chegaram na mais famosa blazer branca, carro já temido por todos da área. Este carro percorre já há algum tempo, as ruas da favela. Gilmara Francisco dos Santos, mãe de Felipe, ainda muito abalada pelo ocorrido, em lágrimas, conta como levaram seu filho para o hospital.

“Isso é uma injustiça. Ele tinha acabado de acordar e saiu para a rua. Os policiais chegaram e atiraram nele. Na hora, não deixaram os moradores socorrerem o menino, todo mundo queria socorrer, e eles não deixaram. Colocaram dentro do carro e foram embora, a tia dele conseguiu ir no carro. Quando ele chegou no Hospital Geral de Bonsucesso, ainda estava vivo, mas a polícia não deixou os médicos atendê-lo, ele ficou lá gemendo e não deixaram ele ser atendido”.

Felipe era estudante e trabalhava em uma lanchonete próxima a sua casa. Natália de Brito, também moradora do local, fala de sua revolta. “Eu estava na rua indo para o trabalho, não teve tiroteio como estão afirmando, isso não é verdade. Isso é uma injustiça, eu sou contra essa política de segurança, o que existe é extermínio, a polícia vem e mata, é isso o que acontece.

Isso é a banda podre da polícia, são todos corruptos. E nós moradores, queremos deixar bem claro que Felipe era trabalhador, vendia cachorro-quente, era estudante, todos gostavam dele, a prova disso é que todos os moradores foram em cima, todo mundo foi para a rua”. Ainda não foi confirmado o horário e o local do enterro de Felipe. Moradores querem se organizar e protestarem no enterro."


Fonte: http://www.redecontraviolencia.org/Home

Taí. Mais uma vítima da incessante violência policial contra os pobres no Rio de Janeiro. Outro dia na Maré foi um menino de 8 anos, ontem foi um jovem de 17, tanto faz. O importante é que a juventude negra e pobre das favelas vai sendo trucidada, de pouquinho em pouquinho, nesses casos que raramente tomam grandes proporções na mídia-burguesa-reacionária. Ou seja, daqui a pouco todo mundo esquece.

Não creio, contudo, que todos os policiais sejam corruptos. Mas é a POLÍTICA DE SEGURANÇA DO GOVERNO CABRAL, essa sim, é corrupta, que precisa de policiais corruptos pra funcionar, pra tocar o rebu, pra aterrorizar morador de favela, pra ser conivente com milícia, pra pegar propina, pra fazer showzinho pirotécnico de bang-bang e dar a sensação de segurança sem se importar se vai atingir o pobre coitado do cidadão, do morador.

Essa tática de enfrentamento pau a pau é imbecil, acéfala, patética e ineficiente.
Isso, claro, supondo-se que houvesse um enfrentamento nesse caso. Mas não. Apenas um garoto, outro de nossos garotos, outro filho do povo, outro inocente teve sua vida tirada de forma brutal, cruel e injustificável pelos agentes que deveriam exercer o papel de protetores desse mesmo povo.

O que mais me revolta é que na maioria desses casos esses monstros ficam impunes, ou pegam penas leves. E é mais uma bala que o Estado brasileiro dispara contra seus filhos, mais sangue nas mãos desse horrendo e assassino Estado brasileiro.