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segunda-feira, 21 de março de 2011
Como os políticos lidam com certas coisas
Essa chargeta eu fiz para a edição impressa desse mês do jornal Fazendo Media, sobre o descaso das autoridades diante de tragédias causadas pelas chuvas.
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domingo, 30 de janeiro de 2011
A quem o Estado Brasileiro realmente defende?
Mais uma charge que fiz pro jornal A Nova Democracia desse mês. Essa é a charge do editorial do jornal, mas também poderia muito bem ilustrar essa matéria aqui.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Duas chargezinhas...
Hoje estive na UERJ e resolvi sentar pra desenhar rapidinho essas duas charges para a campanha das eleições do DCE de lá. Relembrou os meus velhos tempos de movimento estudantil...rs
A UERJ vem sofrendo um processo de anos de precarização causada pela falta de repasse de recursos do estado. Os últimos 10 anos foram particularemnte bastante áridos para a Universidade: falta tudo, desde rajuste salarial até concursos para novos servidores.
Dei uma olhada aqui e achei esse texto que, apesar de meio antigo, infelizmente continua bem atual:
http://www.chicoalencar.com.br/chico2004/chamadas/2006/uerj06042006.htm
E esse, que é bem recente mesmo:
http://www.sintuperj.org.br/portal/pg_materia.asp?id=298
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Desgovernador vocifera contra o povo do Rio

Diariamente a população do Rio de Janeiro é submetida ao mesmo tipo de indignidade. O transporte público na capital fluminense é cada vez mais precário e já não atende às demandas mínimas do carioca, que é tratado pelas empresas e concessionárias de transporte público como se fosse gado. Seja nos ônibus, trens, metrôs ou barcas, os mesmos problemas se repetem, e a cada dia que passa a situação claramente se agrava.
A confusão e o quebra-quebra de ontem, simultâneos em algumas estações de trem do Rio, são reflexo de um povo que, apesar de pacato, já não suporta mais tanta humilhação. Essas empresas fazem o que bem entendem, não dão satisfações aos seus clientes, prejudicam milhares e milhares de pessoas. E parece que o Poder Público não vê ou não quer ver a tensão que se avoluma.
Como se não bastasse, o governador Sergio Cabral fez essa declaração infeliz: "Nós estamos em cima desses responsáveis por essa balbúrdia porque isso prejudicou o Rio de Janeiro e nada justifica o vandalismo."
Nada justifica, governador...???
Nem se levarmos em consideração que milhares de trabalhadores todos os dias são obrigados a se sujeitar aos constantes atrasos dos trens, linhas de metrô interrompidas por muitos minutos, super-lotação nos metrôs e trens, barcas com o dobro da lotação máxima, chicotadas e outras situações indignas e quando muito desumanas? É a "balbúrdia dos vândalos" que prejudicou o Rio de Janeiro ou é a balbúrdia cotidiana, deprimente e desumana causada pela ausência do Estado?
Por que o senhor não experimenta aderir ao belíssimo movimento pendular que é acordar às 4 da manhã e viajar de Santa Cruz à Central num trem lotado? Ou ainda experimentar a delícia que é esperar mais de 40 minutos porque a barca atrasou? Ou quem sabe ficar preso duas horas no engarrafamento monumental na Avenida Brasil sentido Campo Grande, apenas no trecho Leopoldina-Caju? Ou talvez gostaria de apreciar a superlotação do metrô às sete horas da manhã?
Imagino que não fará nada disso, uma vez que continuará apreciando o drama do povo carioca do alto de seu confortável helicóptero de última geração, que, diga-se de passagem, custou aos cofres públicos a bagatela de não menos de 12 milhões de reais.
Aliás, ouvi dizer que o problema de transportes no Rio não se resolve justamente porque muitos dos políticos eleitos por nós estão de rabo preso com os empresários do setor, que doaram volumosas quantias para se fazerem representar.
Governador, governador, até quando essas políticas antipovo vão perdurar?
P.S.: Enquanto escrevo esse desabafo, nesse exato momento ouço a notícia de que os trens da Central estão parados, em pleno horário de rush, e a população, mais uma vez protestando e revoltada, está sendo expulsa do pátio da Central pela força policial ostensiva.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
A odisséia Sarney - parte 2
Abaixo um trecho da nota da OAB sobre a crise que envolve nosso grande parlapatão, José Sarney, que achei interessante:
"Não pode haver maior paradoxo - intolerável paradoxo - que senadores sem voto integrando o Conselho de Ética, com a missão de julgar colegas. Se a suplência sem votos já é, em si, indecorosa, torna-se absurda quando a ela se atribui a missão de presidir um órgão da responsabilidade do Conselho de Ética."
Leia na íntegra em: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/oab-emite-pedindo-recall-de-senadores
O parágrado acima evidentemente refere-se ao senador Paulo Duque, presidente do Conselho de Ética do Senado, responsável pelo descarado arquivamento de todas as acusações contra José Sarney.
Senador pelo estado do Rio de Janeiro, Duque seria o suplente do senador Regis Fitchner, suplente do então senador Sergio Cabral.
Eleito governador, Cabral renunciou ao cargo de senador e levou Fitchner para assumir a Chefia da Casa Civil do Estado, e a Duque coube ocupar o cargo de segundo suplente.
Ou seja: ocorre que este senhor (Duque) sequer tem a legitimidade de ter sido eleito pelo voto popular, pois não passa de um suplente de suplente.
Claro que Paulo Duque não está sozinho nessa maracutaia para defender Sarney a todo custo. Ele é apenas a ponta do iceberg. Por trás de Duque temos um Regis Fitchner, e por trás de Fitchner temos Sergio Cabral.
Cabral, é claro, poderia exonerar Fitchner de seu cargo no governo estadual do Rio e mandá-lo de volta ao senado, onde Duque voltaria a ser realmente um reles suplente, mas é claro que jamais faria isso. É melhor manter Duque, pra que ele livre a cara de Sarney, já que Sarney na presidência do Senado mantém o PMDB feliz, e o PMDB feliz apóia Lula e sua candidata Dilma, aliados de Cabral.
E Duque, aproveitando seus 15 segundos de fama e com as costas quentíssimas, ainda teve a ousadia de afirmar, há poucos dias, que "não perdeu o sono" por ter arquivado as denúncias, e que no dia seguinte "caminhou feliz da vida" pelo Parque do Flamengo, na Zona Sul do Rio, onde mora.
É claro que uma pessoa como essa não pode perder o sono e pode andar feliz da vida por aí. Moral e ética não fazem parte do cardápio da maioria dos membros da politicagem brasileira mesmo. Nós estamos vendo tudo isso, achando absurdo, e não fazemos nada, ou muito pouco.
Enquanto isso, Paulo Duque corre feliz, feliz pelo aterro do Flamengo...
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Paes, Cabral e a política de "maquear defunto"
Aí vai a outra charge que fiz para o jornal Fazendo Media desse mês.

"O Choque de Ordem instalado no Rio de Janeiro e os projetos urbanísticos em vigor, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sugerem perspectivas na política de habitação da cidade. Mas seus fundamentos são históricos, cuja lógica é constatada na degradação atual.
Segundo Sérgio Magalhães, urbanista e arquiteto, as favelas são fruto da total ausência do Estado nesses territórios e erguidas graças à poupança dia a dia durante anos e o esforço individual de 80% das famílias cariocas. É hoje uma das modalidades mais importantes da moradia popular brasileira. Sem nenhum financiamento e apoio de empreiteiras, tampouco da sociedade, muitas comunidades se constituíram através do mutirão, como é caso de Braz de Pina, dentre outros territórios.
Hoje, vemos o velho em versão inédita, com o prefeito Eduardo Paes, apoiado pelo governador Sérgio Cabral, além dos projetos federais, dando ênfase nessa questão, mas com um quê não só de remoção, como também de contenção: a construção de muros. Esse controle social, encobrindo dívidas históricas, que em alguns períodos aflora sob determinadas gestões, além de fatores sócioeconômicos tem uma vertente etnocultural."
Fonte: Jornal Fazendo Media, edição impressa, julho.
"O Choque de Ordem instalado no Rio de Janeiro e os projetos urbanísticos em vigor, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sugerem perspectivas na política de habitação da cidade. Mas seus fundamentos são históricos, cuja lógica é constatada na degradação atual.
Segundo Sérgio Magalhães, urbanista e arquiteto, as favelas são fruto da total ausência do Estado nesses territórios e erguidas graças à poupança dia a dia durante anos e o esforço individual de 80% das famílias cariocas. É hoje uma das modalidades mais importantes da moradia popular brasileira. Sem nenhum financiamento e apoio de empreiteiras, tampouco da sociedade, muitas comunidades se constituíram através do mutirão, como é caso de Braz de Pina, dentre outros territórios.
Hoje, vemos o velho em versão inédita, com o prefeito Eduardo Paes, apoiado pelo governador Sérgio Cabral, além dos projetos federais, dando ênfase nessa questão, mas com um quê não só de remoção, como também de contenção: a construção de muros. Esse controle social, encobrindo dívidas históricas, que em alguns períodos aflora sob determinadas gestões, além de fatores sócioeconômicos tem uma vertente etnocultural."
Fonte: Jornal Fazendo Media, edição impressa, julho.
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Só na boa vida...
Essa é uma charge editorial que fiz esse mês para o jornal Opinião Sindical, do Sind-Justiça-RJ. E hoje é o aniversário de 200 anos da PM. Pura coicidência.
"Enquanto o Rio de Janeiro continua vivendo sua guerra civil particular, ficam para as calendas as promessas de que polícia é para o cidadão. Desde setembro do ano passado, quando foi publicado no Diário Oficial do Estado decreto-lei de autoria do presidente da ALERJ, Jorge Picciani (PMDB), garantindo o retorno às suas corporações de algo em torno de dois mil policiais militares, civis e bombeiros, até o momento nada aconteceu. Só blefe, pelo jeito (...) No mês de fevereiro passado, o falastrão governador, diante das reclamações com a constante violência no Estado, publicou o decreto 41.687, determinando o retorno dos agentes, caso os órgãos não arcassem com suas despesas."
Fonte: Jornal Opinião Sindical, impresso de Maio.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
A culpa é de quem?
"(...)começou no Rio o processo que hoje é designado como problema da violência, usualmente associado ao tráfico de drogas e ao domínio armado de traficantes em favelas. Os tratamentos que o governo do estado, a prefeitura e o governo federal têm dado a este problema têm sido, de modo geral, baseados em um modelo repressivo que insiste em ignorar os direitos dos moradores de favela. (...)
É preciso reconhecer que estamos diante de um falso antagonismo que alimenta uma perspectiva política fascistizante e anti-democrática, além de corrupta, evidentemente. Será tão difícil reconhecer a centralidade da associação e a cumplicidade política entre criminosos situados em favelas e segmentos do Estado, empresários de segurança, contrabandistas de armas e de drogas, comandos militares, milícias e certos vereadores e deputados?"
Leia na íntegra esse excelente artigo da antropóloga Patricia Birman em:
http://www.redecontraviolencia.org/Artigos/459.html
quarta-feira, 15 de abril de 2009
"Segurança" pública do Rio faz mais uma vítima

"Felipe, morador da Maré, morre com tiro na cabeça dado pela Polícia Civil"
"Por volta das 11h de hoje, Felipe dos Santos Correia de Lima, de 17 anos, morador da Baixa do Sapateiro, Complexo da Maré, foi executado com um tiro na cabeça dado pela Polícia Civil, na Rua 17 de Fevereiro, rua em que morava. Segundo testemunhas, eram cinco policiais que chegaram na mais famosa blazer branca, carro já temido por todos da área. Este carro percorre já há algum tempo, as ruas da favela. Gilmara Francisco dos Santos, mãe de Felipe, ainda muito abalada pelo ocorrido, em lágrimas, conta como levaram seu filho para o hospital.
“Isso é uma injustiça. Ele tinha acabado de acordar e saiu para a rua. Os policiais chegaram e atiraram nele. Na hora, não deixaram os moradores socorrerem o menino, todo mundo queria socorrer, e eles não deixaram. Colocaram dentro do carro e foram embora, a tia dele conseguiu ir no carro. Quando ele chegou no Hospital Geral de Bonsucesso, ainda estava vivo, mas a polícia não deixou os médicos atendê-lo, ele ficou lá gemendo e não deixaram ele ser atendido”.
Felipe era estudante e trabalhava em uma lanchonete próxima a sua casa. Natália de Brito, também moradora do local, fala de sua revolta. “Eu estava na rua indo para o trabalho, não teve tiroteio como estão afirmando, isso não é verdade. Isso é uma injustiça, eu sou contra essa política de segurança, o que existe é extermínio, a polícia vem e mata, é isso o que acontece.
Isso é a banda podre da polícia, são todos corruptos. E nós moradores, queremos deixar bem claro que Felipe era trabalhador, vendia cachorro-quente, era estudante, todos gostavam dele, a prova disso é que todos os moradores foram em cima, todo mundo foi para a rua”. Ainda não foi confirmado o horário e o local do enterro de Felipe. Moradores querem se organizar e protestarem no enterro."
Fonte: http://www.redecontraviolencia.org/Home
Taí. Mais uma vítima da incessante violência policial contra os pobres no Rio de Janeiro. Outro dia na Maré foi um menino de 8 anos, ontem foi um jovem de 17, tanto faz. O importante é que a juventude negra e pobre das favelas vai sendo trucidada, de pouquinho em pouquinho, nesses casos que raramente tomam grandes proporções na mídia-burguesa-reacionária. Ou seja, daqui a pouco todo mundo esquece.
Não creio, contudo, que todos os policiais sejam corruptos. Mas é a POLÍTICA DE SEGURANÇA DO GOVERNO CABRAL, essa sim, é corrupta, que precisa de policiais corruptos pra funcionar, pra tocar o rebu, pra aterrorizar morador de favela, pra ser conivente com milícia, pra pegar propina, pra fazer showzinho pirotécnico de bang-bang e dar a sensação de segurança sem se importar se vai atingir o pobre coitado do cidadão, do morador.
Essa tática de enfrentamento pau a pau é imbecil, acéfala, patética e ineficiente.
Isso, claro, supondo-se que houvesse um enfrentamento nesse caso. Mas não. Apenas um garoto, outro de nossos garotos, outro filho do povo, outro inocente teve sua vida tirada de forma brutal, cruel e injustificável pelos agentes que deveriam exercer o papel de protetores desse mesmo povo.
O que mais me revolta é que na maioria desses casos esses monstros ficam impunes, ou pegam penas leves. E é mais uma bala que o Estado brasileiro dispara contra seus filhos, mais sangue nas mãos desse horrendo e assassino Estado brasileiro.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Pegadinha...

"O atual governo do estado do Rio de Janeiro é responsável por um aumento vertiginoso do número de "autos de resistência" – civis mortos pela policia. Em 2007 foram computados 1330 registros. Nos primeiros três meses de 2008, foram registrados 358, o que representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2007. Dados do encerramento do primeiro semestre desse ano apontam 849 mortes.
O custo humano dessa política de governo não se justifica! Hoje temos a polícia que mais mata e mais morre no mundo, num quadro trágico que já alcançou índices recordes, jamais vistos anteriormente."
"Se os movimentos sociais querem impedir a barbárie, devem espalhar essa imagem em cartazes, outdoors e muros da cidade, pra que todos saibam quem é o principal responsável pelos milhares de mortos que o Rio de Janeiro enterra todos os anos."
Leia mais em: http://www.fazendomedia.com/diaadia/protoblog.htm
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domingo, 23 de novembro de 2008
É mole ou quer mais?
Essa charge foi feita para o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais (Sintuperj).Os atores desse pastelão:
De quatro, Vieiralves, o subserviente: como Reitor da UERJ, ao invés de lutar pelos direitos de sua universidade, é condizente e mesmo defensor das políticas públicas adotadas por seu magnânimo chefinho, e constantemente, perdoem a expressão, "caga e anda" para as reinvidicações de alunos e professores. Mas anda de Vectra, automóvel condizente com o valor de seu contracheque.
De pé, Cabral, o general risonho: deixa de repassar a fatia do orçamento da Educação destinada á UERJ, que está há anos sem reajuste para os técnicos, professores e bolsistas, para gastar pesado nessa política de enfrentamento espúria e cinematográfica que faz do Rio de Janeiro a cidade onde policiais mais matam e mais morrem NO MUNDO. Dizem as más línnguas que anda de helicóptero todos os dias no Rio pra não pegar engarrafamento até chegar em casa.
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Declaração infeliz...

Carta de Médica ao Sérgio Cabral , o vagabundo.
"Sabe, governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em mundos bem diferentes. Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada comas canalhices que estão acontecendo. Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabenada da minha também. Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho tive aoportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hojeesquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual. Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolasemergenciais em troca de leitos da dengue. Parece-me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro graunão foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na épocapouco disputado, turma de meninos Zona Sul ... Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneraçãoem troca de aprendizado. Ao final do curso nova seleção, agora para residência.
Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo. Sempre fui doutrinada a fazer omáximo com o mínimo. Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhasrefrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nemconhece o cheiro ou choro em momento de dor. No início da década de noventa fui aprovada num concurso para ser médicada Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro'. A melhor decisão daminha vida, da qual hoje mais do que nunca não me arrependo, foi abandonareste cargo.
Não se pode querer ser Dom Quixote, herói ou justiceiro. Dói assistir amorte por falta de recursos. Dói, como mãe de quatro filhos, ver outrosfilhos de outras mães não serem salvos por falta de condições de trabalho. Fingir que trabalha, fingir que é médico, estar cara-a-cara com opaciente como representante de um sistema de saúde ridículo, ter apossibilidade de se contaminar e se acostumar com uma pseudo-medicina édoloroso, aviltante e uma enorme frustração. Aprendi em muitas daquelas noites insones tudo o que sei fazer e gostomuito do que eu faço. Sou médica porque gosto. Sou pediatra por opção e comconvicção. Não me arrependo. Prometi a mim mesma fazer o melhor de mim.
É um deboche numa cidade como o Rio de Janeiro, num estado como o nossoassistir políticos como o senhor discursarem com a cara mais lavada que esteé o momento de deixar de lenga-lenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador ? Nas UPAS? tudo de fachada para engabelar o povão!!!!Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico ? Os médicos não criaram os mosquitos. Os hospitais não estão com problemasomente agora. Não faltam especialistas. O que falta é quem queira sesujeitar a triste realidade do médico da SES para tentar resolveremergencialmente a omissão de anos. A mídia planta terrorismo no coração das mães que desesperadas correm aqualquer sintoma inespecífico para as urgências. Não há pediatra neste momento que não esteja sobrecarregado.
Mesmo na medicina privada há uma grande dificuldade em administrar uma demandaabsurda de atendimentos em clínicas, consultórios ou telefones. Todos empânico. E aí vem o senhor com a história do lenga-lenga. Acorde governador ! Hoje o senhor é poder executivo. Esqueça um poucodas fotos com o presidente e com a mãe do PAC, esqueça a escolha doprefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão. Faça amudança. Execute.Lenga-lenga é não mudar os hospitais e os salários.
Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha combabá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar aotrabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoasestão armadas, com pouca tolerância, em pânico. Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tentavirar o jogo. A responsabilidade é sua, governador.
Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador ?"
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