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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A odisséia Sarney - parte 2


Abaixo um trecho da nota da OAB sobre a crise que envolve nosso grande parlapatão, José Sarney, que achei interessante:

"Não pode haver maior paradoxo - intolerável paradoxo - que senadores sem voto integrando o Conselho de Ética, com a missão de julgar colegas. Se a suplência sem votos já é, em si, indecorosa, torna-se absurda quando a ela se atribui a missão de presidir um órgão da responsabilidade do Conselho de Ética."
Leia na íntegra em: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/oab-emite-pedindo-recall-de-senadores

O parágrado acima evidentemente refere-se ao senador Paulo Duque, presidente do Conselho de Ética do Senado, responsável pelo descarado arquivamento de todas as acusações contra José Sarney.

Senador pelo estado do Rio de Janeiro, Duque seria o suplente do senador Regis Fitchner, suplente do então senador Sergio Cabral.

Eleito governador, Cabral renunciou ao cargo de senador e levou Fitchner para assumir a Chefia da Casa Civil do Estado, e a Duque coube ocupar o cargo de segundo suplente.

Ou seja: ocorre que este senhor (Duque) sequer tem a legitimidade de ter sido eleito pelo voto popular, pois não passa de um suplente de suplente.


Claro que Paulo Duque não está sozinho nessa maracutaia para defender Sarney a todo custo. Ele é apenas a ponta do iceberg. Por trás de Duque temos um Regis Fitchner, e por trás de Fitchner temos Sergio Cabral.

Cabral, é claro, poderia exonerar Fitchner de seu cargo no governo estadual do Rio e mandá-lo de volta ao senado, onde Duque voltaria a ser realmente um reles suplente, mas é claro que jamais faria isso. É melhor manter Duque, pra que ele livre a cara de Sarney, já que Sarney na presidência do Senado mantém o PMDB feliz, e o PMDB feliz apóia Lula e sua candidata Dilma, aliados de Cabral.

E Duque, aproveitando seus 15 segundos de fama e com as costas quentíssimas, ainda teve a ousadia de afirmar, há poucos dias, que "não perdeu o sono" por ter arquivado as denúncias, e que no dia seguinte "caminhou feliz da vida" pelo Parque do Flamengo, na Zona Sul do Rio, onde mora.

É claro que uma pessoa como essa não pode perder o sono e pode andar feliz da vida por aí. Moral e ética não fazem parte do cardápio da maioria dos membros da politicagem brasileira mesmo. Nós estamos vendo tudo isso, achando absurdo, e não fazemos nada, ou muito pouco.


Enquanto isso, Paulo Duque corre feliz, feliz pelo aterro do Flamengo...