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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

...e no Dia do Professor...




Fui ao médico e no centro resolver um monte de coisas, quando de repente, não mais que de repente, tive a idéia e não resisti: vim correndo pra casa fazer essa chargeta.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Inversão de valores...


Está em nosso redor em todos os lugares, algo pernicioso, quase invisível, chamado engenharia do consenso. Nos fazem aceitar como valores irrefutáveis coisas que não necessariamente precisamos ou queremos ou devemos aceitar, mesmo assim, quando nos damos conta, estamos sendo moldados á imagem e semelhança daqueles que se colocam no papel de artífices do detino, dos costumes e do comportamento social. O pensamento reflexivo vai dando lugar, pouco a pouco, a uma acriticidade tamanha, que faz com que pessoas pautem suas vidas pelo que lhes são outorgados, e não pelos próprios desejos ou valores.

Pequeno exemplo, assistimos comovidos ao drama de artistas famosos que lutam contra as drogas, torcemos pelo trinfo deles, pela sua recuperação. Mas outras pessoas também são vítimas das drogas, muitas vezes passam por dramas e dilemas até bem mais sérios, a começar pelo fato de não terem a informação ou as perspectivas que um ator global tem. Marginais, lupemproletários, sem-teto, miseráveis, pode chamá-los do que quiser, caro leitor. Pessoas que roubam porque precisam da droga para ajudar a entorpecer a fome. Pessoas que não tem saída, nem perspecitiva nem porvir, que estão á beira da morte física, pois já morreram espiritualmente há tempo.

O tratamento que o Estado Brasileiro dá a uns e a outros é completamente diferente. A diferença é apenas classe social. Miseráveis viciados são tratados pela mídia, pela polícia e por nós como os piores criminosos. Mas nos solidariezamos com o drama de pessoas famosas, ricas e bonitas que estão na mesma situação. A engenharia do consenso é pensada para guiar nossos valores nos mínimos detalhes: enaltece o drama de uns e transforma outros em monstros. O senso crítico que deveria nos alertar nessas horas vai se perdendo de vista, como se nunca tivesse existido. Enquanto isso, a classe dita dominante se impõe á outra, a esmaga, a sufoca, (pois no fundo tem medo de sua revolta), usando todos os recursos disponíveis para garantir a manutenção de seu status.

A luta de classes é travada também na mente das pessoas. No fundo, nós sabemos disso sim. Mas preferimos ficar no conforto de nossos afazeres, sem dar muita atenção a isso tudo. Já temos que pensar em muita coisa. O resto, deixamos que pensem por nós.



Bom, essa charge é a outra que fiz esse mês para o jornal A Nova Democracia. Vai lá:
http://www.anovademocracia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2557&Itemid=105

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Reflexões sobre o caso Cesare Battisti



Essa charge eu fiz para o blog Náufrago da Utopia, mas o autor ainda não conseguiu postar por problemas técnicos. Trago aqui alguns pequenos trexos dos muitos textos que vêm sendo produzidos sobre o caso.

"Carlos Lungarzo, membro da Anistia Internacional dos EUA que produziu um relatório memorável sobre o Caso Battisti, traz nova contribuição à compreensão desse festival de iniquidades a que assistimos estarrecidos: Decisão judicial ou indulto?. Eis um trecho antológico:

"O alto corpo [do STF] é chefiado por alguém que já foi publicamente acusado por colegas de chefiar capangas. Gilmar Mendes já foi alvo de muitas denúncias (de arbitrariedade, de acobertamento de crimes financeiros, de vender serviços à própria justiça, de estimular a violência contra movimentos sociais, de incubar golpe institucional contra o governo) e foi o segundo caso no país de uma proposta de impeachment. Mais esperto que Collor, soube formar um escudo que o defendeu na hora certa. Defendido apenas pela direita e a grande mídia (que o qualifica de 'polêmico', um adjetivo inadequado para sua personalidade), sua presença num tribunal qualquer seria um sinal de alarma em qualquer país" (...)"

(...) "Lenda viva do jornalismo brasileiro, o veteraníssimo Hélio Fernandes continua confrontando de peito aberto as ignomínias da direita: Malabarismo pirotécnico do Supremo. Julgou abusivamente o presidente da República, acreditando que negava extradição ao italiano Battisti. Este ficou 12 anos na França, ninguém o incomodou. Ficará para sempre no Brasil . Ele afirma que, qualquer que seja a decisão do STF, Lula não será obrigado a cumpri-la, por seis motivos:

1.O Supremo não poderia julgar o Presidente da República.
2.O presidente já decidira conceder o asilo.
3.Nessa questão, regida por Tratados internacionais, a COMPETÊNCIA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA É SOBERANA E INCONTESTÁVEL.
4.Um governo internacional (no caso a Itália) não pode invadir a competência de outro país.
5.A própria Itália reconheceu o fato, deixando Battisti 12 anos na França, sem pedir sua extradição.
6.A Itália de Berlusconi (sem qualquer moral ou competência) contestou a decisão, visivelmente considerando o Brasil mais vulnerável e mais sujeito a pressões."(...)



Leia mais e tire suas próprias conclusões em: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/09/links-para-12-textos-obrigatorios-sobre.html

sábado, 12 de setembro de 2009

A odisséia Sarney - parte final



Pois é, pessoal. Algumas poucas semanas se passaram e a cada dia que passa fica mais difícil encontrar um texto atual e politizado que trate da corrupção de José Sarney e da crise do Senado com alguma reflexão crítica para além dos jargões batidos como "abaixo a corrupção" ou "Fora Sarney".

Dá impressão de que o escândalo que chocou milhões de brasileiros há tão pouco tempo vai ficando pra trás, vai se afastando do nosso cotidiano, se acomodando nos cantos de nossa curta memória até cair no limbo. Conforme o tempo passa, mais a poeira vai baixando, mais nós vamos nos conformando e deixando de lado aquilo que aparentemente não se pode confrontar: a força do coronelismo brasileiro.

A vida segue em frente, outros escândalos virão, para que nos choquemos e indgnemos com eles, para que protestemos e para que enfim da mesma forma os esqueçamos.

Abaixo trexos de um artigo da jornalista Tatiana Merlino, para a revista Caros Amigos e do editorial desse mês do jornal A Nova Democracia. Ficou um pouco grande, mas vale a pena dar uma lida:



"Quadro do regime militar. Ex-político da Arena. Há décadas, dono do estado do Maranhão. Famoso por práticas clientelistas, fisiológicas e corruptas. Depois de mais de meio século de uma vida pública com esse currículo invejável, só agora, em 2009, José Sarney (PMDB-AP) foi “desmascarado”. Os responsáveis por alertar (ou iluminar) a opinião pública foram os representantes do PSDB e do DEM, além, é claro, da grande imprensa.

Pivô da crise instaurada no Senado Federal, seu presidente acumulava 11 acusações no Conselho de Ética da Casa. No entanto, todas as denúncias foram arquivadas, com a decisiva ajuda da bancada do PT.

Desde o começo do ano, a chamada Câmara Alta do legislativo brasileiro viu sua imagem ainda mais comprometida com a divulgação de uma série de irregularidades, como o excesso de diretorias, horas extras pagas a servidores durante o recesso parlamentar, mal uso das cotas de passagens aéreas e a utilização de atos secretos para nomear de apadrinhados e aumentar salários. (...)"

"A chamada "crise do Senado", nesse contexto, nada mais é que a ponta do iceberg — visível apenas pelas paspalhices dos dignos senadores — da renhida luta entre as frações da grande burguesia e do latifúndio e seus grupos de poder pelos despojos e privilégios de classe permitidos pelo imperialismo. Porém são contradições que se desenvolvem através de pugnas como também de conluios, como mais uma vez pôde a nação assistir no recente pacto para salvar Sarney e Artur Virgílio.

A imagem de um PT controlado pelo seu grupo mais fisiológico a serviço do gerenciamento do Estado, colocando no bolso as patéticas e tímidas dissonâncias de um Mercadante ou um Suplicy, é um selo estampado à testa do oportunismo, que definitivamente declara estar do lado do que há de mais atrasado na sociedade brasileira ao se aliar a Sarney, Calheiros, Collor e cia. Mas este é o desígnio de todo oportunismo."em>


Fontes: http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=132&iditens=309

http://www.anovademocracia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2427&Itemid=105

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A culpa é de quem?


"(...)começou no Rio o processo que hoje é designado como problema da violência, usualmente associado ao tráfico de drogas e ao domínio armado de traficantes em favelas. Os tratamentos que o governo do estado, a prefeitura e o governo federal têm dado a este problema têm sido, de modo geral, baseados em um modelo repressivo que insiste em ignorar os direitos dos moradores de favela. (...)

É preciso reconhecer que estamos diante de um falso antagonismo que alimenta uma perspectiva política fascistizante e anti-democrática, além de corrupta, evidentemente. Será tão difícil reconhecer a centralidade da associação e a cumplicidade política entre criminosos situados em favelas e segmentos do Estado, empresários de segurança, contrabandistas de armas e de drogas, comandos militares, milícias e certos vereadores e deputados?"


Leia na íntegra esse excelente artigo da antropóloga Patricia Birman em:
http://www.redecontraviolencia.org/Artigos/459.html

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Frase do Dia:



"O ESTADO BRASILEIRO É O MEU PIOR INIMIGO".

(Ricardo Boechat)