domingo, 7 de dezembro de 2008

Maré de luto


Ninguém está seguro no Rio de Janeiro


É repugnante, inacreditável e absurda a atuação da Polícia Militar nas favelas do Rio de Janeiro. Dessa vez, a ignorância total, a covardia e o despreparo por parte de um agente do Estado fizeram de uma criança de apenas oito anos sua vítima fatal.

O grande crime punível de morte do menino Matheus foi o de ir comprar pão por volta das 8 horas da manhã, na última quinta feira, 4/12, aqui na Baixa do Sapateiro, Complexo da Maré. Ao sair de casa foi alvejado por um tiro de fuzil na nuca, que estraçalhou parte de seu rosto. Um tiro disparado por um policial militar, ou seja, mais um tiro disparado pelo Estado. Muitas testemunhas desmentem a versão da polícia, que como sempre sustenta ter havido troca de tiros com traficantes. Em nome de um corporativismo execrável, a polícia afirma também que o autor do disparo não foi um policial, contrariando testemunhas que inclusive não permitiram a vil tentativa de policiais que, minutos depois, retornaram ao local para tentar levar o corpo do menino, alegando "tentar salvá-lo".

Em entrevista á Band News FM, nesta sexta feira, o delegado da 21 DP de Bonsucesso, Carlos Eduardo Pereira de Almeida, quando questionado pelo jornalista Ricardo Boechat sobre a autoria do disparo, gaguejando bastante em evidente sinal de nervosismo, teve dificuldades de tentar explicar que tipo de incursão policial estaria ocorrendo no momento que justificasse a versão de troca de tiros com traficantes, sustentada pela polícia.

É triste constatar que por conta da irresponsabilidade de nossos governantes, se faz cumprir esta lógica do enfrentamento meramente cinematográfico e de eficiência questionável, inspirada na política fascista da criminalização da pobreza, marca registrada deste Estado Penal, protagonista de crimes hediondos contra os direitos humanos, tão (ou mais) cruel que no período ditatorial.

Se um menino é executado dessa forma ao ir comprar pão ás 8 horas da manhã, no Rio de Janeiro ninguém está seguro. Pelo menos quem não pode pagar caro por esta segurança. É esse o saldo da política do enfrentamento do governador Sergio Cabral.

3 comentários:

Alves disse...

...
Imagens chocantes Diego. O pior é saber que ela faz parte do cotidiano do povo pobre e oprimido das favelas do país.
Que merda de país...

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Diego Novaes disse...

Pois é, Alves, meu colega...que merda de país...